São vozes da decadência,
trinando noite dentro melodias fúteis
do sonho antecipado, rebaixado
à mísera condição de trauteio amargo.
Não te suplanto,
ó pasmo de gente que queres ser um.
São lâminas enferrujadas,
pedaços de metal impiedoso
trinchando a pele tingida de sangue,
procurando afogar o suor,
ruborizar a noite de alva escuridão,
em vão,
pois ela mesma,
a tela onde se projecta a cirurgia,
a escama de bisturi carcomida pelas traças
de sentimento, de anos dolorosos,
ela mesma é o reverso de um dia,
névoa-cegueira,
atordoada pela luminosidade absoluta,
clarões de tudo, permitindo nada
como veículos que entopem a estrada de fim incerto,
como uma armadura de bronze,
dura e seca.
Canto metálico que se ergue de um lamacento leito,
conjectura orgânica de chuva,
afogando-se no pântano da desesperança.
Longa é a distância, e a noite densa.